A Democracia Americana

Arquivado em:Subversão — posted by libertarios on 2010 junho @ 28/06/2010

Suprema Corte dos EUA rejeita recurso contra empresas de tabaco

Suprema Corte decide pelo direito ao porte de armas nos EUA

E viva a democracia americana, controlada pelas grandes empresas.

Como diria Noam Chomsky: A natureza anti-democrática do capitalismo dos Estados Unidos está sendo exposta.

Pela primeira vez, um boicote portuário nos EUA em solidariedade à Palestina

Arquivado em:Subversão — posted by libertarios on 2010 junho @ 24/06/2010

Vitória no porto de Oakland: barco israelense tem a sua descarga bloqueada

Gloria La Riva

Em nossa época esta é uma ação histórica e sem precedentes. Mais de 800 ativistas sindicais e comunitários bloquearam o cais de Oakland durante a madrugada, o que permitiu que os estivadores se negassem a cruzar as linhas
do piquete e impediu a descarga de um barco israelense.

De 5:30am a 9:30am, um protesto militante e espirituoso ocorreu em frente às quatro portas do Serviço de Estiva da América, com as pessoas cantando sem parar “*Livre, Palestina livre, não cruze a linha do piquete”* e *“Um ataque contra um é um ataque contra todos, o muro do apartheid vai cair”*.
Argumentando acerca de sua saúde e segurança – disposições contidas em seus contratos de trabalho – os trabalhadores, ligados à ILWU [organização sindical internacional dos trabalhadores portuários], se negaram a cruzar o piquete.

Entre as 8:30am e as 9:00am, uma arbitragem de emergência foi realizada no estacionamento da empresa Maersk, próximo ao cais. De forma “instantânea”, um juiz apareceu no local para decidir se os trabalhadores podiam negar-se a cruzar o piquete sem medidas disciplinares.

Às 9:15am, após confirmar a continuidade do protesto de centenas de pessoas em cada portão de acesso caís, o juiz sentenciou a favor do sindicato, dizendo que a situação era realmente insegura para que os trabalhadores tentassem entrar no cais.

Jess Ghannam, da Aliança Palestina Livre, e Richard Becker, da Coalizão ANSWER (Atue Agora para Parar a Guerra e Acabar com o Racismo, na sigla em inglês), receberam aplausos e gritos de “Viva a Palestina!”, ao anunciarem a vitória do movimento. Ghannam disse: “Isto é realmente histórico, nunca
antes um barco israelense havia sido bloqueado nos Estados Unidos!”

A notícia de que um navio com contêineres da companhia de navegação Zim Israel estava programado para chegar à área da baía neste domingo provocou uma enorme onda de solidariedade com a Palestina, sobretudo em função do
violento atentado israelense, no dia 30 de maio, contra os voluntários que levavam ajuda humanitária para Gaza.

Com 10 dias de antecipação à chegada do navio, um clima de emergência se criou no “Comitê Sindical e Comunitário de Solidariedade com o Povo Palestino”. Na quarta-feira, 110 pessoas dos sindicatos e da comunidade vieram ajudar a organizar a logística, a difusão e o apoio da comunidade
local. Dentre as organizações que tornaram o ato possível estão a Coalizão Palestina Al-Awda Direito ao Retorno, a Coalizão ANSWER, a Seção local da USLAW (Trabalhadores Estadunidenses Contra a Guerra), e a Seção Sindical do
Comitê pela Paz e pela Justiça.

Esta semana, dois conselhos sindicais locais aprovaram resoluções quanto à denúncia do bloqueio israelense a Gaza. Ambos emitiram notas públicas sobre a ação no cais do porto.

O ILWU tem una história de orgulho por estender a sua solidariedade aos povos que lutam em todo o mundo. Em 1984, as massas negras sul africanas participavam de uma intensa luta contra o apartheid, e o ILWU negou-se por 10 dias (um recorde) a descarregar mercadorias do navio “Ned Lloyd”, da
África do Sul. Apesar de multas milionárias impostas aos sindicatos, os trabalhadores portuários se mantiveram fortes, proporcionando um grande impulso ao movimento contra o apartheid.

Entre as muitas declarações de solidariedade ao protesto estão a dos trabalhadores palestinos e cubanos. A Federação Geral Palestina de Sindicatos, disse que “sua ação de hoje é um marco na solidariedade internacional dos trabalhadores dos EUA, de honestos e valentes sindicalistas. Saudações dos sindicalistas e trabalhadores da Palestina… dos
sindicalistas e trabalhadores enjaulados em Gaza.”

A Central de Trabalhadores de Cuba (CTC) escreveu: “Nosso povo vive há 50 anos um bloqueio injusto e abominável do governo dos EUA, de modo que entendemos muito bem como o povo palestino se sente, e vamos estar sempre em solidariedade com a sua justa causa. Hoje lhes enviamos o nosso apoio mais
sincero. Viva a solidariedade da classe trabalhadora! Fim ao bloqueio de Gaza! Respeito e justiça para o povo da Palestina!”

A ação de hoje em Oakland, no sexto maior porto dos Estados Unidos, é o primeiro de vários protestos e paralisações previstos em todo o mundo,
incluindo Noruega, Suécia e África do Sul. Seguramente inspiraremos outros a fazerem o mesmo.

(tradução a partir do espanhol: Rodrigo Fonseca)

Semanas de Chumbo em Floripa

Arquivado em:Subversão — posted by libertarios on 2010 junho @ 02/06/2010

Apesar da repressão, estudantes não desistem de seu direito de manifestação

Passadas 3 semanas, os protestos contra a tarifa do transporte coletivo continuam em
Florianópolis, com uma reação cada vez mais truculenta da polícia
militar, que com prisões arbritárias e violência ameaça o direito de manifestação,
buscando com isso acabar com o movimento.

Neste relato busco mostrar um pouco do tenso momento vivido na cidade nestas última semanas por aqueles e aquelas que lutam pela revogação do aumento da tarifa e por um transporte público e de qualidade.

Na sexta dia 21/05 foram presos dois manifestantes e um reporter do grupo RBS.

Em uma clara ameaça a liberdade de imprensa o jornalista foi algemado,
teve a camisa rasgada pelos policiais e foi colocado em um camburão
onde permaneceu por cerca de uma hora, o jornalista acusa um policial
de agredi-lo um com cassetete no pescoço. Um repórter fotográfico do
mesmo grupo, afirma que teve a lente da câmera quebrada por um
policial.

Cartas de repúdio foram apresentadas pelo jornal em que os
profissionais trabalhavam.

Pelo Sindicato dos Jornalistas de Santa Catarina:

E pela Frente de Luta pelo Transporte Público de Florianópolis:

Se com os veículos da grande mídia houve repressão, imaginem com a imprensa independente, representada
por dezenas de manifestantes que com suas cameras registram aquilo que não aparece na TV e nos jornais da cidade.

Chegamos ao absurdo de ver declarações como estas (no instante 1:20 do vídeo abaixo), do tenente-coronel Newton Ranlow, conhecido repressor dos movimentos sociais da cidade:

Além do cerceamento a liberdade de imprensa, a PM é responsável por dezenas de prisões arbitrárias.

Na terça 25/05, quatro manifestantes foram detidos.

Na quarta dia 26/05 houve uma bicicletada, um carro da Patrulha de
Policiamento Tático (PPT) passou por cima da roda da bicicleta de um
dos manifestantes, os policiais ainda agrediram verbalmente e
fisicamente(com choques) os manifestantes.

Roda da bicicleta danificada por viatura

Na quinta no dia 27/05 houve uma grande manifestação na cidade, extremamente violenta, onde um ônibus da PM
levou seis manifestantes presos para a delegacia. Dois deles eram menores.

O último ato de desrespeito a democracia ocorreu ontem, quando a PM invadiu a UDESC (Universidade do Estado de Santa Catarina) e prendeu 6 manifestantes, lembrando que uma universidade pública é inviolável, e a polícia só pode ter acesso com permissão do reitor.

Estudantes Presos com violência pela PM na UDESC

A instituição emitiu nota oficial, repudiando a ação violenta da policia:

Um vídeo que resume muito bem a truculência desta ação da PM na UDESC, não deixando margem a interpretações dúbias:

Até o dia que este relato foi publicado, foram realizadas 25 detenções pela PM, todos foram liberados, dois tendo que pagar fiança.

Lembrando que nesta quarta, as 17h está marcada mais uma manifestação no centro da cidade, acompanhem e ajudem a divulgar oque está ocorrendo nesta cidade sem leis.

Mais informações sobre os protestos em:

http://lataofloripa.libertar.org
http://twitter.com/lataofloripa
http://www.sarcastico.com.br
http://radiotarrafa.libertar.org

Quem não pula quer tarifa!

Arquivado em:Subversão — posted by libertarios on 2010 maio @ 17/05/2010

Grande manifestação nesta quinta!

Arquivado em:Subversão — posted by libertarios on 2010 maio @ 13/05/2010

Grande ato nesta quinta 17h em frente ao ticen!

Mais informações:

http://lataofloripa.libertar.org
http://twitter.com/lataofloripa
http://tarifazero.org

Grande ato nesta quinta 17h no Ticen!

Arquivado em:Subversão — posted by libertarios on 2010 maio @ 09/05/2010

Resistir até a tarifa cair!

Arquivado em:Subversão — posted by libertarios on @ 09/05/2010

Do Click RBS:

O usuário do transporte coletivo de Florianópolis terá de desembolsar
R$ 2,95 (pagos com dinheiro) pela passagem a partir da 0h de domingo(09/10).
O pagamento no cartão fica R$ 2,38, e a tarifa social passa a custar
R$ 1,60. O valor do reajuste foi anunciado pela prefeitura na tarde
desta sexta-feira. O aumento é de 7,3%.

E a reação!

Nesta sexta-feira, estudantes de diversos colégios e universidades de Florianópolis realizaram grande manifestação, marcando o início da resistência contra o aumento no transporte coletivo.

A manifestação saiu da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) por volta das 10h30 e seguiu em caminhada até o Ticen (Terminal do Centro), onde encontrou os estudantes dos colégios da região central da cidade.

Após o encontro, uma assembléia de rua foi realizada e os cerca de 400 manifestantes decidiram ocupar o Setuf (Sindicato das Empresas de Transporte Urbano de Florianópolis) exigindo a apresentação das planilhas de custo do transporte. Os manifestantes tentaram entrar pacificamente nas salas administrativas para dialogar com a direção do sindicato dos empresários, sendo agredidos com pedaços de metais, cadeiras e outros objetos, violência do Setuf que gerou empurra-empurra e uma vidraça quebrada, ferindo funcionários e manifestantes. A Frente de Luta pelo Transporte Público lamenta o ocorrido, bem como a irresponsabilidade e intransigência dos empresários.

Após o incidente, o protesto seguiu até o Atendimento ao Cidadão da Secretaria Municipal de Transportes, mas infelizmente encontrou o prédio com as portas e janelas fechadas. Depois de fechar o acesso dos ônibus ao terminal por alguns minutos, a manifestação seguiu para a prefeitura e mais uma vez o poder público demonstrou que não tem nenhum interesse em dialogar com a população, fechando as portas do prédio e ordenando que a Guarda Municipal atacasse os manifestantes com gás de pimenta.

A manifestação se dispersou por volta das 14h, deixando um saldo extremamente positivo e mostrando para os empresários e para a prefeitura que não toleraremos este aumento! Nossa disposição de luta e organização deixam claro que iremos resistir até a revogação do aumento, exigindo também mudanças estruturais e medidas que transformem o transporte público da cidade para que ele atenda de verdade aos interesses da população, que sofre todos os dias com um serviço de péssima qualidade e a tarifa mais cara do Brasil.

A Frente realizará no sábado, 08 de maio, a partir das 13h30, no Diretório Central dos Estudantes da UFSC, uma reunião ampla para discutir e encaminhar os próximos passos da luta, organizando as manifestações que certamente crescerão e ganharão força na próxima semana. Toda a população de Florianópolis está convidada a participar e contribuir com a luta!

Contra o aumento das tarifas do transporte!

Por um transporte público, gratuito e de qualidade para o conjunto da população!

Resistir até a tarifa cair!

Florianópolis, 07 de maio de 2010.

Frente de Luta pelo Transporte Público

As relações pornográficas da rede Globo e do governo de SP

Arquivado em:Subversão — posted by pablito on 2010 março @ 30/03/2010

Não vai sair no Jornal Nacional.

Vídeo no youtube com a matéria completa veiculada pela Record:
http://www.youtube.com/watch?v=AIs4kSyJkgM

O texto é do blog:
http://blogs.r7.com/o-provocador/2010/03/23/toma-que-o-terreno-e-meu/

Vamos combinar um negócio? Vou invadir o quintal da sua casa. Não vou
pagar nada por isso. Também vou proibir sua família de entrar na área.
Para garantir, vou colocar cerca em volta, com seguranças. Depois de
anos, porque eu sou bonzinho, vou devolver o pedaço. Mas só se você me
agradecer por isso. Está bom assim?

Foi essa a imagem que me veio quando soube que a Rede Globo “doou” um
terreno para o governo do Estado de São Paulo construir uma escola
técnica. Li isso no portal Comunique-se, voltado para profissionais de
comunicação. “Doou”. Doeu. Deu o que não era dela! Quer dizer então
que não devolveu! Cara de pau!

Para quem não conhece a história, é rapidinho: a Globo incorporou ao
seu patrimônio um terreno público de quase 12 mil metros quadrados,
avaliado em mais de R$ 11 milhões. A área fica contígua ao prédio da
emissora no Brooklin, em São Paulo. Terrenão.

Era uma praça. Virou pista de cooper exclusiva aos funcionários da
emissora. Ninguém podia frequentar o lugar. Tinha grade e vigilância
24 horas. Apropriação indébita. Invasão, se o MST se atrevesse a fazer
algo parecido. Caso de polícia.

Houve uma gritaria, claro. O povo não é bobo. Conversa vai,
conversinha vem, semana passada a Velha Senhora assina um convênio com
o Serra e posa de bacana. Detalhe: a tal escola vai formar
profissionais de quê? De multimídia, áudio e vídeo. Quanta
generosidade!

Aí vou no site da Globo e vejo que o terreno “é propriedade do
Estado”. Então confessaram o crime?! Invadiram a área esses anos
todos. Para uso particular e mesquinho. Sem gastar um centavo.
Socorro! Cadê o Ministério Público? Hein?

Não vão ser punidos por isso? Não, não. Vão ficar olhando para nossas
caras de patetas esperando que a gente diga obrigado, obrigado. Ah,
vá. Chama o ladrão! Chama o ladrão!

O Plano Diretor “Participativo” de Florianópolis

Arquivado em:Subversão — posted by pablito on 2010 março @ 22/03/2010

Nessa quinta-feira, dia 18 de março, moradores de várias comunidades de
Florianópolis, entidades comunitárias e dos trabalhadores ocuparam as
dependências do Teatro Álvaro de Carvalho interrompendo a audiência
pública onde a prefeitura apresentaria o plano diretor da cidade produzido
pelo Instituto argentino CEPA.

A ocupação foi motivada pelo desrespeito da prefeitura com as diretrizes
produzidas pelas comunidades ao longo dos 4 anos do processo do plano
diretor participativo onde as comunidades opinaram e deliberaram seus
anseios sobre a organização e crescimento da capital catarinense.

As comunidades denunciam os riscos ambientais e a segregação
sócio-espacial do plano diretor proposto pela prefeitura que deverá ser
encaminhado para votação câmara dos vereadores dia 30 de março.

As entidades comunitárias de Florianópolis convocam a todos os moradores
de Florianópolis nos dias 23 de março, durante a seção solene da câmara
dos vereadores a ser realizada na assembléia legislativa em comemoração ao
aniversário da cidade as 20h e no dia 30 de março, entrega do plano
diretor na câmara dos vereadores, para realização de protestos em repúdio
ao plano diretor da prefeitura.

Leia mais: Um plano do povo
http://www.midiaindependente.org/pt/blue/2010/03/467906.shtml

Fotos I: Relato Fotográfico da Audiência Pública do Plano Diretor
Participativo
http://www.midiaindependente.org/pt/blue/2010/03/467970.shtml

Fotos II: [Floripa] Relato Fotográfico da Audiência Pública do Plano
Diretor II
http://www.midiaindependente.org/pt/blue/2010/03/467976.shtml

Fonte: http://www.midiaindependente.org/pt/blue/2010/03/467968.shtml

FOI NO VELHO TAC

Lá no velho teatro

Todo belo e reformado.

Assembléia um imperativo

Na defesa do ativo.

Vi o povo se mexendo

Com toda aquela bravura.

O que é nosso já defendendo

Ousadia da estrutura.

Era a ilha em polvorosa

Com o seu povo na rua.

Salvando esta bela rosa

Mostrando sua cultura.

Um grito contra o poder

Logo mesmo sabendo.

O que o povo está a querer

Com o poder logo mexendo.

Esta ilha já é um barco

Muito preste a adernar.

Com mais prédios e barracos

Um dia vai mesmo afundar.

Se mobilidade e vida

Neste mar a navegar.

Administração pervertida

Quem ela vai comandar.

São José/SC, 8 de março de 2010.

Autor: mosnyoiram@mail.com

www.mario.poetasadvogados.com.br

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Libera já!

Arquivado em:Subversão — posted by pablito on 2009 novembro @ 05/11/2009

Siro Darlan, Jornal do Brasil

RIO – Assisti entusiasmado ao depoimento do policial norte-americano Jack Cole na Escola da Magistratura do Rio de Janeiro defendendo, com argumentos pautados na realidade, sua vivência de 40 anos de guerra contra as drogas, a liberação do comércio de todas as drogas tidas como ilícitas pela legislação. Os dados estatísticos de mortos e presos, além do dispêndio financeiro com essa guerra inútil, apontam na direção do que a sociedade precisa: sair desse entorpecimento patrocinado por uma política que só olha para a preservação dos lucros financeiros que a economia das drogas proporciona desprezando os valores humanos e apostando na segregação de negros e pobres, que são os clientes referenciais das prisões em todos os países proibicionistas.

Segundo Jack, somente no México morreram 6.290 pessoas no ano passado, na batalha contra os cartéis de drogas, enquanto nos Estados Unidos 2,2 milhões pessoas superlotam as prisões. O Brasil já é o quarto país mais encarcerador do planeta com 470 mil presos e mais 500 mil cumprindo penas alternativas. Enquanto isso, a produção mundial de drogas ilegais nunca cresceu tanto. Será que essa política que só prende, mata e descrimina é capaz de eliminar a praga das drogas e salvar nossas crianças e famílias?

No Brasil, essa guerra tem envergonhado a polícia que dia a dia sofre derrotas acachapantes, como foi o caso da derrubada do helicóptero que causou a morte de três combatentes, e em seguida a resposta foi ainda pior: 29 mortos. A polícia disse que eram marginais, porque assim ficava mais fácil deglutir a notícia. Mas a reação da família de três deles levou a autoridade policial a pedir desculpas públicas pela injúria assacada.

Está claro que o abuso de drogas, como o alcoolismo, é um problema social e de saúde pública. Empurrar as drogas para a clandestinidade, do mesmo modo que aconteceu com o álcool na década de 20, serve apenas para aumentar os preços, atrair o crime e promover a corrupção policial e de outras autoridades, além das criminosas e ilegais incursões nas comunidades pobres dominadas pelos grupos criminosos. Está claro que a proibição tem fomentado a prática criminosa organizada com o objetivo de obter cada vez maiores lucros.

Segundo o policial norte americano, a legalização das drogas e dos serviços de apoio às comunidades através da implantação de políticas públicas responsáveis e consequentes é o remédio verdadeiro e capaz de pôr fim a essa guerra insana, incluindo o financiamento integral para o tratamento dos dependentes. Àqueles que questionam o custo financeiro desse tratamento respondeu que em 2002 só a quinta parte dos fundos contra as drogas foi usada para a reabilitação. Igualmente importante é um eficiente programa publicitário e educacional para demonstrar os malefícios do uso de drogas e um investimento em políticas públicas visando eliminar a pobreza e a falta de oportunidades, o que faz com que as drogas sejam atrativas.

O mercado ilegal causado pela proibição das drogas tem causado sérios danos sociais não apenas no Brasil mas em nível mundial, onde o financiamento norte-americano dessa guerra destinou cerca de US$ 1.300 milhões ao México e à América Central no ano de 2008. Promoveu-se um derramamento de sangue com violações dos direitos fundamentais, torturas e confissões forjadas, tal como ocorre nas incursões nos morros do Rio de Janeiro. O resultado é, dentre outros danos, a evasão escolar de milhares de crianças e a falta ao trabalho de trabalhadores que intimidados por essa violência permanecem em casa com grave prejuízo para o desenvolvimento e a economia do país.

Jack Cole acusa os Estados Unidos de fomentarem o crime organizado no México e na América Central com uma lei que exige a deportação dos imigrantes não cidadãos, incluindo os residentes legais que forem sentenciados por certo tempo de crimes. Afirma que as autoridades locais utilizam estas políticas para perseguir a muita gente inocente.

Afirmou, ainda, que o governo dos Estados Unidos, ao mesmo tempo que se pronuncia publicamente contra as drogas, comercia secretamente com os narcóticos e cita como exemplos: 1) durante a Guerra do Vietnã, a CIA participou no comércio de heroína no sudeste da Ásia, na qual supria as tropas norte-americanas; 2) na década de 80, a CIA intercambiava armas e dinheiro por cocaína com os contras que lutavam contra o governo sandinista da Nicarágua; 3) durante a intervenção da antiga União Soviética no Afeganistão, os Estados Unidos ajudaram os grupos fundamentalistas muçulmanos de direita trocando sua heroína por armas.

Concluindo, Jack Cole afirmou que a guerra contra as drogas é racista ao atribuir ao presidente Nixon o comentário de que “o problema são os negros. A chave é criar um sistema para eliminar os protestos que tenha essa finalidade, mas sem que seja notado”. Esse comentário seria uma resposta aos movimentos de luta pelos direitos civis dos afrodescendentes. E, embora haja consumidores de drogas em todas as etnias e classes sociais seja para divertir-se, seja por razões médicas, a aplicação das leis é tremendamente injusta, porque elege os negros numa proporção cinco vezes maior do que as outras etnias para serem encarcerados.

Vê-se que no Brasil não é diferente, mas pode-se acrescentar as razões étnicas, a predominância dos pobres, analfabetos e desempregados, muito embora sejam os de classe média e os ricos os responsáveis pelo capital que sustenta o comércio das drogas, mas raramente frequentam os tribunais e menos ainda as prisões. Também no Brasil são os jovens entre 16 e 25 anos negros e mulatos que ocupam grande percentagem da população carcerária.

Segundo o policial, o fracasso da aplicação das leis proibicionistas é tão evidente que foi fundada uma organização que trabalha na busca da legalização das drogas. O fundador foi o próprio Jack Cole que acredita que se deve eliminar a proibição das drogas, da mesma maneira que foi eliminada a proibição do álcool em 1933, quando um dia, depois da revogação dessa lei, Al Capone e toda sua quadrilha de contrabandistas ficaram sem trabalho.

O que se propõe não é uma apologia às drogas mas que, com a eliminação da criminalização do uso e do comércio de drogas, seja criado um Fundo de Promoção de Políticas Públicas de educação, saúde, trabalho e habitação para mostrar à sociedade, sobretudo às crianças e jovens, os malefícios do uso e abuso de drogas. Esse Fundo seria implementado com os tributos gerados com a venda das drogas e utilizado como um antídoto para curar os doentes provenientes do uso de substâncias entorpecentes.

A liberação dos presos sentenciados por crimes de drogas leves resultaria de imediato em uma economia ao erário que possibilitaria a criação de programas de tratamento e educação das vítimas das drogas. O redirecionamento dos milionários recursos hoje destinados a fomentar a guerra do tráfico possibilitaria o desenvolvimento de políticas de habitação e emprego para as comunidades mais pobres e hoje dominadas pelo poder dos criminosos e na educação e profissionalização dos jovens, que seriam os principais beneficiados com as políticas públicas.

Perguntou-se no seminário ao policial o que ele achava da posição das mães de família diante dessa proposta de liberação das drogas. Respondeu que na década de 30 foram as mães, com slogans que concitavam todos a salvarem as crianças e as famílias, as responsáveis pela campanha pela liberação do álcool. A carta emocionada do pai, cujo filho de 26 anos, vítima do crack, matou uma jovem de 18 anos na Zona Sul do Rio de Janeiro, emoldura a dura realidade desse mal que atinge todas as classes sociais e deve nos conduzir a um debate sério e racional.

Pode não ser uma ideia nova nem revolucionária, mas com certeza poderia trazer melhores resultados do que a atual em que apenas acumulamos despesas vãs e óbitos desnecessários, além de uma das mais eficientes redes de corrupção do planeta. Vamos pensar e debater esse tema tabu?

Siro Darlan é desembargador, membro da Associação Juízes para a Democracia e ex-conselheiro do Conselho Estadual de Direitos da Criança e do Adolescente.


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