O golpe em Honduras

Perguntas:

Como pode uma consulta a população, que pergunta se esta é a favor ou não da reeleição pode ser um ato anti-democrático que justifique a ação das forças armadas de seqüestrar, exilar e depor um presidente legitimamente eleito pela população?

Com os agravantes que esta consulta garante apenas a possibilidade uma reeleição(que existe em diversos países democráticos, inclusive os EUA), não altera  a constituição, apenas abre um preceito para que a mesma seja votada no congresso e no senado e por último, o próprio presidente que é acusado de usá-la a seu favor não poderia se reeleger mesmo se a constituição fosse alterada, dado que a mudança só valeria para um próximo mandato.

Como isto, pode em algum lugar do mundo ser algo democrático?

A resposta:

“A análise feita pela segurança do Estado é que ele era perigoso para ser presidente. Sua detenção deveria impedir mortes e feridos”, afirmou o general. O perigo, segundo ele, era que os partidários de Zelaya tentassem reconduzi-lo ao poder, iniciando um conflito nacional.

Essa declaração do general hondurenho basta para desmascarar qualquer intenção “democrática” dos golpistas, que sempre usam da mesma retórica de ameaça comunista, risco a soberania nacional e salvação da “democracia” para  garantir seus interesses e da elite que os sustenta, atropelando a vontade popular, rasgando a constituição e impedindo que a população se manifeste matando civis e impondo toque de recolher.

Para quem quer ler mais sobre a lei por trás da constituição hondurenha, para não ter dúvidas da ilegalidade deste golpe de estado, sugiro a leitura de:
As cláusulas pétreas e as cédulas misteriosas da crise em Honduras

Outros argumentos para desmascarar os golpistas

Um comentário em “O golpe em Honduras

  1. Golpe consumado

    O golpe de Estado em Honduras pelo menos ajudou a sepultar a constrangedora campanha publicitária da “Gloriosa” iraniana. Sintomática e previsivelmente, os inimigos ocidentais de Ahmadinejad mostram-se cautelosos em relação à democracia hondurenha. Nem sempre a mitologia libertária serve a todos os interesses em jogo.
    Resta pouco a acrescentar às origens e aos desdobramentos da deposição de Manuel Zelaya. Trata-se de uma reedição bem-sucedida do levante contra Hugo Chávez, de 2002, na Venezuela: imprensa, partidos políticos e associações empresariais unidos no levante autoritário, oscilações determinantes das Forças Armadas, letargia de grande parte da sociedade e algum belicismo das minorias atuantes.
    Golpe de feitio tradicional, portanto, e também no discurso pseudo-legalista dos revoltosos. Sempre há perigos a combater, um interesse nacional a salvaguardar. Os comunistas de nosso 1964 viraram os atuais vilões do Eixo do Mal – substituídos, para o folclore tropical, pelo coronel venezuelano. E novamente a defesa da “democracia” serve como justificativa para destruí-la. O apoio popular legitima o golpe, não a mudança constitucional proposta por um presidente eleito. Governantes podem ser depostos, mas nunca reeleitos, pelo clamor das ruas.
    Um aspecto incômodo da cobertura jornalística é a simpatia concedida aos silêncios (omissões?) de Barack Obama. As ambigüidades do episódio hondurenho sugerem cautela. Não há razões para acreditar que o governo dos EUA deixou de apoiar, direta ou indiretamente, sabotagens contra adversários. A proximidade dos golpistas com antigos funcionários da Casa Branca deixa pouco espaço para dúvidas.
    Acusações inócuas e sanções paliativas alimentarão o antiamericanismo da população hondurenha, fortalecendo a posição do governo provisório e mantendo o chavista Zelaya afastado até as eleições de novembro. Eis a saída cômoda (e irrevogável) para os lados mais fortes envolvidos.

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