Tesão, educação, manifestação e emancipação

Sabe essas manifestações contra e a favor da derrubada de Dilma?

Elas não me empolgam e não me dão esperanças de algo novo e transformador.

Fui pra rua sim, e sou contra o impedimento de Dilma. Mas fui pra rua por medo, medo de que algo pior assuma o poder. E o medo nos impede de sonhar, é o sentimento mais intimo do conservadorismo.

Muitos de nós sabemos disso. Sabemos que mesmo se Dilma não for impedida teremos dias duros e sombrios pela frente, com um congresso tenebroso, uma oposição que joga sujo e um governo ruim, acostumado com o poder e que por convicção ou fraqueza vai continuar aplicando (talvez em menor grau) as mesmas politicas que jogam a conta da crise nas costas da parte mais vulnerável da população brasileira, com cortes em saúde, educação e programas sociais.

O que me empolga mesmo é ver a luta dos estudantes secundaristas, que começou em São Paulo (contra a “reorganização” escolar de Alckmin e agora pela falta de merenda), depois para Goiás (contra a militarização de escolas) e agora no Rio de Janeiro (em apoio aos professores e por melhores condições nas escolas).

Ai está a semente de algo novo, feito por uma gurizada de escolas públicas, boa parte delas na periferia de grandes cidades.

Contra problemas concretos os estudantes tentam outras formas de fazer politica: sem os tradicionais carros de som de sindicatos, com assembléias e debates amplos entre os envolvidos, com ausência de hierarquia na tomada de decisões e evitando a cooptação por partidos e organizações que querem se aproveitar da luta para chegar ao poder.

As ocupações das escolas envolvem os próprios estudantes na auto-gestão das escolas, pois são obrigados a lidar com aspectos como segurança, alimentação, limpeza, manutenção, etc. Além disso, coletivos, professores, artistas e pessoas da sociedade em geral tem se manifestado em solidariedade aos estudantes, contribuindo com oficinas, aulas, comida e mantimentos.

E isso me dá muito mais esperanças do que esse Fla x Flu sobre quem está no poder. Por que é justamente a questão do poder que é atacada pelos estudantes.

O poder na mão de todos, a autonomia, a anarquia.

E isso me dá muito mais tesão!

E como diria Roberto Freire (o escritor e terapeuta anarquista, não o escroto do PPS): “Sem tesão não há solução!”

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