Lutas, utopia, jornalismo e coletividade

Lutas, utopia, jornalismo e coletividade

(Resposta à Ric Record)

Por: André Berté

A emissora RIC (Record), em matéria divulgada após o ato realizado pelo Movimento Ponta do Coral 100% Público, em 08/03/2015, tentou transformar um evento pautado na discussão sócio-ambiental, protagonizado – há décadas – por diversas entidades representativas da cidade, em uma ação dirigida por invasores, que receberam o título de “turma alternativa”.

A Ric, sonegou da população, ações concretas firmadas pela corrente suprapartidária que luta pela democratização daquele espaço público, que, de forma nebulosa, tentam transferir a mãos privadas.

Em face da matéria mal dirigida, com viés alienante, a pergunta é: a emissora defende a construção do ilegal empreendimento? A emissora endossa o desrespeito do prefeito César Souza Filho ao Plano diretor aprovado recentemente?

Se o faz, o defende da maneira mais vil possível: tentando desmoralizar grupos legítimos engajados na criação do parque. Ao repórter, à equipe técnica e aos editores da RIC – a título de informação – segue lista de alguns “invasores alternativos”, de “hippies” e de rastafáris que ativamente participam do movimento: professores universitários, vereadores, deputados, assessores parlamentares, ONGs, geógrafos, biólogos, arquitetos, Movimento negro, Movimento Ilha Verde, artistas, cadeirantes, estudantes e fotógrafos. Grupos ligados à igualdade de gênero e direitos LGBT, como o Grupo Acontece e a Frente Parlamentar Contra a Violência Contra a Mulher, também estão inseridos na luta.

Matéria preconceituosa, que, em pleno dia das mulheres, cria estereótipos para um grupo amplo, consolidado e altamente representativo. Afinal, a cor ou o trançado dos cabelos deslegitima pessoas de se manifestarem? Tira delas a legitimidade de proposições para a cidade?

Matéria que não aborda a sobrevivência da comunidade pesqueira que há décadas sobrevive e sustenta seus filhos com essa profissão, tampouco as consequências da saída deles da comunidade. O pleno emprego dessa gente, deveria ser defendido, mas – na matéria em questão – ganha ares depreciativos, ares de uma cidade que, baseada na especulação desenfreada, destrói lares, desrespeita movimentos sociais e legislações vigentes. Fere, em si, a própria democracia.

Enfoque jornalístico desfocado da realidade, ao tratar a utopia de forma pejorativa, ao passo, em que, foi exatamente essa utopia que tornou possível a criação dos Parques da Luz e da Lagoa do Peri.

A questão sócio-ambiental, uma das pautas principais do Movimento, com todo o impacto ambiental decorrente da ilegal construção, não deveria ter sido abordada por um jornalismo imparcial? A título de informação, ao nobre repórter é à sua equipe, a área não foi invadida e tem sido limpa pelo movimento Ponta do coral 100% pública, através de mutirões sistemáticos.

Também, a título de esclarecimento, há sim, há décadas, intenso trabalho e planejamento, estes, recentemente evidenciados em atos como: a limpeza da região, O evento do dia das mulheres (organizado pelo movimento Ponta do Coral 100% Pública), protesto em frente à sede da Fatma, “enterro” simbólico do projeto em fevereiro (na Ponta do Coral), assertivas na câmera de vereadores, quando da discussão do projeto e coletas de assinatura via abaixo-assinados.

Uma matéria digna de aplausos, reforçaria o desrespeito do prefeito em relação ao plano diretor e à legislação. Mas, não o faz.

Depreciar a luta – que se estende há décadas – de centenas de pessoas sérias e trabalhadoras, não deveria ser pauta de uma emissora com concessão pública. De forma que, da maneira mais democrática possível, nos colocamos à disposição da emissora para correção de rumos, com possibilidade de uma nova matéria: que respeite os grupos envolvidos, que divulgue a verdade dos fatos e o projeto proposto pelo Movimento.

Utopia é mais que uma palavra, em especial, quando agrupa pessoas decentes engajadas em causas coletivas. Para quem luta e busca um mundo para todos, sonhar é coletivo.

Movimento Ponta do Coral 100% Pública
Página no face: https://www.facebook.com/pontadocoralpublica?fref=ts
Pela criação do Parque Cultural das 3 Pontas: http://parqueculturaldas3pontas.wordpress.com

A matéria da Tv Record: http://ricmais.com.br/sc/ambiente/videos/ponta-do-coral-ainda-causa-divergencias-em-florianopolis/

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