Murilo Flores (PSB) e o discurso do “gestor técnico”.

Sei que Murilo Flores é um candidato “nanico” nas eleições de Floripa. Mas acho o discurso dele da técnica ser superior a politica é falso e ao mesmo tempo sedutor.

Essa contraposição entre “técnica” e “politica”, entre “gestão” e “ideologia” é um grande papo furado. Maior exemplo disso eu vi quando fui em uma audiência pública do plano diretor de Florianópolis. Estavam presentes cidadãos, movimentos sociais, entidades comunitárias, entidades profissionais de arquitetos e sindicatos patronais de construção civil e do setor hoteleiro, assim como IPUF (órgão da prefeitura responsável pelo planejamento urbano).

Diversos arquitetos em suas falas afirmavam que as decisões tomadas pelos cidadãos e entidades comunitárias eram muito românticas, ideológicas e pouco técnicas. Afinal de contas quem bancaria tantos parques públicos? Como fazer uma cidade crescer sem aumentar o tamanho dos prédios? Por fim um dos arquitetos defendeu a criação da Marina na beira-mar, e que tal projeto beneficiaria o transporte público marítimo na cidade.

Pouco tempo depois um cidadão fez uma pergunta ao IPUF sobre em que estado estavam os estudos de mobilidade urbana sobre a questão do transporte marítimo na cidade. O IPUF respondeu categoricamente que não havia estudo concluído!

Afinal de contas como um projeto como este da Marina pode ser anunciado pela Prefeitura na mídia, com local já estabelecido (beira-mar um dos metros quadrados mais caros da cidade), se nem estudo sobre mobilidade concluído existe para dizer que ali seria o melhor local para uma Marina.

Afinal de contas, como podem pessoas formadas em cursos superiores de instituições públicas respeitadas como a Universidade Federal de Santa Catarina defenderem com unhas e dentes um projeto como o da Marina, tão grande, que gastaria milhões de reais, teria um imenso impacto ambiental e privatizaria muita propriedade pública?

Um projeto que não foi discutido pela sociedade. Não foi discutido pelas comunidades no âmbito do Plano Diretor Participativo. Um projeto que no máximo passou pelo crivo da elite politica e econômica da cidade e que depois é propagandeado por algumas entidades profissionais e patronais, pela mídia e por algumas ONGs chapa-branca.

Enfim, sai de lá com mais certeza ainda de que este discurso da tecnocracia é um grande papo furado. Afinal de contas, os técnicos sempre servem aos políticos. Não existe uma “gestão técnica” desvinculada de uma visão politica. Que visão futura de sociedade espera o partido? Quem será priorizado pelas politicas públicas? Quem pagará a conta dessas politicas? Em que grupos de poder se apoiará o partido para conseguir governar?

É um velho discurso para convencer o povo de que as decisões tomadas lá em cima são necessárias, são assim, como leis da natureza. Assim como querem nos convencer todos os dias que devemos trabalhar cada vez mais e se aposentar cada vez mais tarde. Que o cara que vão colocar para comandar a Petrobras ou o Banco Central é “Um gestor do mercado e não uma politico”. Eles são sempre os gestores e trarão mais eficiência. E claro, isso tudo não é ideologia, é técnica.

E por último Murilo Flores é do PSB, cujo presidente em Santa Catarina é da família Bornhausen, família exemplo de coronelismo desde a ditadura militar. Os Bornhausen inclusive foram doadores de dinheiro para sua campanha. Difícil vir novidades de gestão de uma família que comanda SC a décadas.

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